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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

1976 Verdades
































Edição digital







Verdades é um álbum de estúdio do Padre José Fernandes de Oliveira, SCJ, o Padre Zezinho.
Neste disco foi lançado originalmente um dos clássicos mais conhecidos do Pe. Zezinho, scj: "Cantiga de Paz na Terra".
A segunda faixa, faixa-título, causou um rebuliço nas igrejas em relação ao preconceito com os pobres na época e ainda hoje se pode ver os exemplos bem claros de preconceito. A quinta faixa, "Cantiga de Paz na Terra", faz uma oração a Deus pela paz e faz um apelo por aqueles que não têm por quem olhe por eles como os infelizes, pobres e inconsoláveis para que se abrindo a Deus, achem a felicidade que só hão de encontrar Nele.
O álbum também enfoca outros aspectos como ciência X religião ("Brincadeiras") e uma experiência que vinha se ampliando no Brasil de muitas pessoas não buscarem mais a Deus, o que resultou a música "Cantiga de Saudade".

Ficha técnica
Coordenação Artística e Técnica: J. Martins
Direção de Estúdio: Eni Makanory
Arranjos e Regência: Wlson Mauro / EDuardo Assad
Solo: Pe. Zezinho, scj
Coral: Grupo Edypaul
Assessor Técnico: H. Ohara
Capa: Irmã B. Breda, fsp
Direção Geral: C. Nogueira, fsp
Gravação e Mixagem: Estúdio das Edições Paulinas - Discos

Códigos
LP EPD - 0368
K7 375
CD 11841-9

Lista de Faixas
LP, Cassete e
Todas as canções compostas por Padre Zezinho, SCJ.
Lado A
#     Título    Duração
1.    "O Deus Em Quem Espero"        2:53
2.    "Verdades"        4:46
3.    "Brincadeiras"  3:16
4.    "Cantiga de Saudade"  3:16
5.    "Cantiga de Paz na Terra"            3:17
6.    "O Discípulo"     3:37
Duração total:
20:25
Lado B
#     Título    Duração
1.    "Cantiga por Um Casal Fiel"        3:16
2.    "Cantiga Triste de Pastoreio"     5:27
3.    "As Pedras"       4:34
4.    "Os Dois Caminhos"       3:05
5.    "Elegia a Um Burguês"                  4:23
Duração total:
20:05

Lista de Faixas
CD e Digital
Todas as canções ompostas por Padre Zezinho, SCJ.
#     Título    Duração
1.    "O Deus Em Quem Espero"        2:53
2.    "Verdades"        4:46
3.    "Brincadeiras"  3:16
4.    "Cantiga de Saudade"  3:16
5.    "Cantiga de Paz na Terra"            3:17
7.    "O Discípulo"     3:37
8.    "Cantiga por Um Casal Fiel"        3:16
9.    "Cantiga Triste de Pastoreio"     5:27
10.    "As Pedras"       4:34
11.    "Os Dois Caminhos"       3:05
12.    "Elegia a Um Burguês"                  4:23



Crítica: Apesar de algumas canções animadas-como a ótima faixa inicial “O Deus em quem espero”, que remete à musicalidade judaica-, Verdades é um álbum tenso e melancólico, que remete à falta de liberdade na época da ditadura militar no Brasil e também à temática do “Pobre”                 que tomaria força junto com a Teologia da Libertação. Daqui para frente os temas da justiça social, próprios do carisma dehoniano ao qual Padre Zezinho pertence, e muito enfocado pela Teologia da Libertação, será muito frequente na Discografia do Padre Zezinho, principalmente entre os álbuns da década de 1980. "Verdades" é o álbum que inicia a segunda fase da "carreira" do Padre Zezinho, agora focada na Justiça Social, além dos jovens (que nunca deixam de ser enfoque)
Dentro disto deve ser ouvido “Verdades”, para não dar a impressão de verdadeira melancolia. A melancolia presente no álbum é na verdade esperança por dias melhores.





Padre Zezinho SCJ - Verdades

O Deus em quem espero
Pe. Zezinho, scj

O Deus em quem espero não me abandonará
E creio firmemente que que ele me libertará

Dos laços do pecado
E da deseperança
Do julgamento errado
Da mentira e da vingança
Da fome e da miséria
E de toda a humilhação
De ter como parceiro
Quem oprime o seu irmão

Dos laços da injustiça
Do medo de sofrer
Do luxo e da cobiça
E de fugir ao meu dever
De toda a violência
De toda a falsidade
Da obtusa consciência
Que tem medo da verdade

Verdades
Pe. Zezinho, scj

Das verdades que Jesus nos ensinou
Uma delas não consigo esquecer
Que se um homem não tem nada pra comer
E um outro tem demais à sua mesa
Um dos dois vai pro inferno ao morrer

Uma outra que em meu coração ficou
Muitas vezes eu recordo ao meditar
Quem quiser seguir os passos de Jesus
Não se apegue a mais ninguém senão ao Reino
E por ele agarre firme a sua cruz

Verdades que acredito
Verdades de Jesus
Verdades que eu medito
E que me trazem tanta luz
Verdades que você procura sem saber
Verdades que nós dois custamos tanto a entender

Das verdades que ao partir Jesus deixou
Eu recordo a do contexto social
Que se alguém quiser subir de posição
Lave os pés dos seus irmãos com quem convive
E lidere sem pisar no seu irmão


Brincadeiras
Pe. Zezinho, scj

No jogo de esconce-esconde
Tentaste fugir de Deus
E Deus aceitou jogar
Segundo as regras do jogo teu

Dizias que procuravas
Mas no fundo tu fugias
E sempre que te ocultavas
Deus te achava, Deus te via
O jogo continuava
E Deus ganhava e tu perdias

No jogo de cabra-cega
Tentaste tocar em Deus
E Deus aceitou jogar
Segundo as regras do jogo teu

Dizias que estavas cego
Mas no fundo bem que o vias
E quando por Deus passavas
Disfarçavas e fingias
O jogo continuava
E Deus ganhava e tu perdias

Agora mudou o jogo
Faz tempo que já mudou
O jogo de esconde-esconde
E cabra-cega se acabou

No jogo do pensa-pensa
Terás que pensar em Deus
Terás que te sujeitar
As certas regras que vêm do céu

Não queiras mudar o jogo
Que teu Deus um dia fez
Precisas pensar um pouco
E abandonar a insensatez
No jogo do pensa-pensa
Desta vez é a tua vez


Cantiga de saudade
Pe. Zezinho, scj

Estou com saudade de Deus
Por favor me levem de volta, eu estou
Eu estou com saudade de Deus

Aqueles que nos levaram
Mandavam a gente cantar
E as lágrimas que rolaram
Falavam em nosso lugar
-Cantar de que jeito?
Se a saudade da pátria nos dói
Saudade do Rio Jordão
Saudade da Nossa união

Nas margens do rios deles
Sentávamos sempre a chorar
E embaixo dos seus salgueiros
Ficávamos a meditar
Sorrir de que jeito?
Se a saudade aumentou e doeu
Saudade do Rio Jordão
Saudade da casa de Deus

As harpas dependuradas
As mãos pelo rosto a escorrer
As almas despedaçadas
E o povo a chorar e a gemer
Tocar de que jeito?
Se a miséria enrugou nossas mãos
Saudade do Rio Jordão
Saudade da nossa nação


Cantiga de paz na terra
Pe. Zezinho, scj

Se você não tem paz interior
E não tem ninguém
Que aceite partilhar o seu amor
Venha me escutar, que minha canção
Vem pra relembrar
Que Deus não se esqueceu de nós

Se você perdeu sua doce paz
E não tem ninguém
Que venha lhe trazer o que ela traz,
Venha flutuar na meditação
E descobrirá
Que Deus ainda crê em nós

Ouçam todos que hoje se angustiam
sem saber se vão achar a paz
ouçam todos que ainda não confiam:
quando Deus promete não trai jamais


O discípulo
Pe. Zezinho, scj

O barco eu já não tenho
As redes eu deixei
E a casa de onde eu venho
Muito poucas vezes retornei
E agora eu sou profeta
Meu povo assim o quis

Minh alma pode estar inquieta
Mas o coração garanto que é feliz

Sonhar eu já nem sonho
Dormir eu já nem sei
Meu mundo está risonho
Mesmo se chorar eu já chorei
Às vezes quando eu rezo calado a meditar

A mente quase não diz nada
Mas o coração não para de cantar

Ainda não me acostumei a serviço do meu Rei
Tanta coisa que eu não sei como explicar porque se faz
Mas a minha fé me diz, que se pode ser feliz
Quando existe um coração e um ideal que satisfaz

Eu sei que não sou nada
Nem mais do que ninguém
E sei que pela estrada
Não encontrarei somente o bem
Às coisas passageiras
Não quero me apegar

A glória deste mundo passa
Eu quero é a tua graça pra me acompanhar


Cantiga por um casal fiel
Pe. Zezinho, scj

Seu nome era José, o carpinteiro
Trabalhava dia e noite e noite e dia
Casou-se com Maria tão meiga e tão singela
E dizem que mulher não haverá igual a ela

Menina diferente era Maria
Que vivia como Deus a inspirava
Não era uma criança que não sabe o que a espera
Sabia muito bem que o amanhã não é quimera

Às vezes penso em José
Querendo compreender a sua fé
Ou fico a imaginar quem foi Maria
E a vejo sempre ao lado de José
Por vezes uma angústia me persegue
E pergunto pra Maria e pra José
Por que será que o mundo não consegue
Entender o que se deu em Nazaré

Seu nome era José, o carpinteiro
Trabalhava de manhã a sol se pôr
Viva com Maria louvando o seu Senhor
E dizem que ninguém jamais viveu tão grande amor

Figura singular era Maria
Em amor ninguém no mundo a superava
Vivera suspirando pela vinda do Messias
Porém que se fizesse filho seu não esperava


Cantiga triste de pastoreio
Pe. Zezinho, scj

Tu plantaste a juventude
No canteiro do Senhor
Não pensaste na inquietude
Dos irmãos mais novos do Senhor
Foste embora semeando
E plantando ao teu redor
Juventude foi murchando
Esperando algumas gotas de amor

Ao voltar esperançoso
Pro canteiro do Senhor
Viste um quadro doloroso
O canteiro sem nenhuma flor
Com mil lágrimas sentidas
Foste então recomeçar
O jardim voltou à vida
E saíste pelo mundo a cantar

Um jovem custa muito pouco
Um pouco de muito amor

A quem serve o mundo jovem
Um recado eu quero dar
As palavras não resolvem
Gente jovem quer amor
Não prossigas semeando
Se não voltas pra regar
Juventude vai mirrando
Quando a gente
Não tem tempo de amar

Nunca voltes esperando
Encontrar jardins em flor
Se te foste relegando
Os canteiros do Senhor
Recomeça com ternura
O trabalho de regar
Nascerão mil flores puras
E depois comigo podes cantar


As pedras
Pe. Zezinho, scj

As pedras da longa estrada
O homem as colocou
Mas Deus carinhosamente
À nossa lama, pedras misturou

Juntou-lhe mil pedregulhos
Uniu todas com calor
E agora a estrada é firme
Por ela pode passar o amor

Andei por aí sozinho
Voltei ao mesmo lugar
É só pelo meu caminho
Que Deus vai me acompanhar
Das pedras da minha vida
A paz vou edificar

Da minha lama ele fez asfalto
E a minha vida agora vai mudar

Um dia parei cansado
A vida não parou
Meu Deus me surgiu ao lado
Me deu a mão e junto me levou
Mostrou-me o caminho certo
De paz e de ressurreição
E agora no meu deserto
Existe vida que brotou do chão


Os dois caminhos
Pe. Zezinho, scj

Feliz e bem-aventurado
Quem não ouve
Os palpites errados

Feliz é aquele que não se desvia
Do reto caminho
Que herdou de seus pais
Não perde o seu tempo
Com más companhias
E em tudo o que faz
Põe segredos de paz
Igual arvoredo à beira do rio
Produz no seu tempo
O que dele se espera
Não sabe ter medo
Nos mares bravios
E mesmo em tormenta
Não se desespera

É tão diferente
Esta noite sem dias
De quem foi cedendo
E fugindo de Deus
Esbanja o seu tempo
Em conversas vazias
Mudando ao sabor
Do que mais lhe convém
Igual folha seca
Aos sabores do vento
O seu pensamento
Não nutre esperanças
Não crê, não espera
Não tem mais alento
Ou se desespera
Porque não alcança


Elegia por um burguês
Pe. Zezinho, scj

Que foi que aconteceu
Que foi que aconteceu
Com teu pequeno mundo
Pra onde num segundo
Num passe de magia
Teu coração fugia
Para não se questionar

Que foi que aconteceu
Que foi que aconteceu
Com todas as respostas
Com todas as propostas
Que ao mundo tu gritavas
Se alguém não te escutava
Tu ficavas a gritar

Vivias do dinheiro
E tinhas posição
Teu Deus era o sucesso
Não tinhas religião
E quando um reverendo
Te falava em conversão
Tu rias complacente
Como quem já sabe mais

Que foi que aconteceu
Que foi que aconteceu
Ganhaste o mundo inteiro
Mas perdeste a tua paz

E agora o que farás
E agora o que farás
Do teu pequeno mundo
Pra onde num segundo
Num passe de magia
Teu coração fugia
Para não se questionar

E agora o que farás
E agora o que farás
Com todas as respostas
Com todas as propostas
Que Deus agora grita
E quando não escutas
Deus repete sem cessar

Não chores teu dinheiro
Nem tua posição
Nem faças do fracasso
A tua nova religião
E quando um reverendo
Te falar do amor de Deus
Sorria docemente
Como quem já entendeu

E agora o que farás
E agora o que farás
Perdeste o teu dinheiro
Perdeste o mundo inteiro
mas ganhaste a tua paz.

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